Farsa de si
Agora há pouco li um post da Flávia Melissa onde ela fala que às vezes se sente uma farsa, que às vezes tem dificuldade em viver o que compartilha. (Veja aqui: https://www.facebook.com/flaviamelissa.fanpage/photos/a.361541077228623.75050.360457340670330/1404552949594092/?type=3&theater)
Há algum tempo venho sentindo isso, refletindo, observando. Vivemos num tempo onde ninguém mais assume errar ou sentir. Falou algo e se arrependeu? Magoou alguém? Ah, já passou, deixa pra lá!
Tenho uma mania de ficar repensando situações ou até falas que mexeram comigo ou que não senti legal - sabe aquilo que você escuta ou diz e logo traz aquela sensação de "humm" ou "vixi" ou "puts". Sim, podem me julgar louca. Às vezes penso e repenso, até que consiga harmonizar em mim.
Na correria dos dias perdemos a capacidade de pedir desculpas, de dizer que amamos, de abraçar, de chorar juntos. E o quanto isso é importante?
Vejo diariamente o sofrimento das pessoas, suas dúvidas, traumas, medos, indecisões, inseguranças. Vejo também tantos terapeutas (sejam holísticos ou de outras áreas) com suas máscaras de perfeição. Como se ao pegar sua carteirinha de terapeuta você não pudesse mais ter medo, nem ansiedade, nem nenhum sentimento difícil de lidar. Você conhece muitas ferramentas para lidar com o sofrimento humano, então não se admite que você sofra.
Quem conhece um pouco da minha história sabe que o que me fez chegar aqui, o que me fez entrar num caminho de autoconhecimento e espiritualidade, foi o sofrimento e a busca pela cura, pelo equilíbrio mental e emocional - a profissão veio como consequência desse caminho.
E é uma farsa fingir que nós - terapeutas - não sentimos, não precisamos ouvir conselhos, desabafar e nem ser cuidados também.
Como na maior parte do tempo estou fazendo isso para auxiliar as pessoas que me procuram, então talvez se crie essa imagem de que eu não tenho problemas. Quantas vezes já ouvi: "nossa, você é muito calma, tem muita paciência" ou "você é iluminada" ou "você não deve ter problemas". Eu costumo responder que sou uma pessoa que tenta a cada dia viver equilibrada. E se conseguir auxiliar alguém a viver mais equilibrado também, ótimo!
Sentir é humano, faz parte em todo o mundo. Todos sentimos amor, medo, insegurança, decepção, alegria. Ao aconselhar as pessoas, estou também me aconselhando. Ao conhecer a dor do outro percebo que todos passamos por momentos difíceis, e que às vezes são muito parecidos. E assim será sempre, uma situação após a outra, uma alegria aqui, uma conquista ali, um receio acolá. O caminho é buscar dentro de si - e através das pessoas e energias que podem nos ajudar - a força e a clareza para passar por essas situações e para harmonizar estes sentimentos.
Às vezes também me sinto uma farsa. Por que me vejo tendo que aprender a cada dia o que transmito para as pessoas. Mas farsa mesmo seria fingir que sou perfeita e que já venci todos os aprendizados.
Acredito que tudo seria mais leve se ao mostrar nossos sentimentos fossemos bem acolhidos - por nós mesmos e pelos outros. Se não precisássemos segurar o choro, nem responder o que não sabemos.
Desejo que, acima de tudo, não esqueçamos de ser honestos e humanos. O mundo está tão carente disso. E se errarmos, conosco ou com os outros, que possamos tirar um tempo para corrigir. Que possamos refletir para não repetir o erro. Que a gente não tenha vergonha de se abrir e mostrar que também sentimos, que também amamos, que também erramos.
Somos simplesmente humanos, aqui, aprendendo e ensinando, trocando experiências diárias e enfrentando nossas dificuldades.
Abraços!
Luana Zimmermann
Há algum tempo venho sentindo isso, refletindo, observando. Vivemos num tempo onde ninguém mais assume errar ou sentir. Falou algo e se arrependeu? Magoou alguém? Ah, já passou, deixa pra lá!Tenho uma mania de ficar repensando situações ou até falas que mexeram comigo ou que não senti legal - sabe aquilo que você escuta ou diz e logo traz aquela sensação de "humm" ou "vixi" ou "puts". Sim, podem me julgar louca. Às vezes penso e repenso, até que consiga harmonizar em mim.
Na correria dos dias perdemos a capacidade de pedir desculpas, de dizer que amamos, de abraçar, de chorar juntos. E o quanto isso é importante?
Vejo diariamente o sofrimento das pessoas, suas dúvidas, traumas, medos, indecisões, inseguranças. Vejo também tantos terapeutas (sejam holísticos ou de outras áreas) com suas máscaras de perfeição. Como se ao pegar sua carteirinha de terapeuta você não pudesse mais ter medo, nem ansiedade, nem nenhum sentimento difícil de lidar. Você conhece muitas ferramentas para lidar com o sofrimento humano, então não se admite que você sofra.
Quem conhece um pouco da minha história sabe que o que me fez chegar aqui, o que me fez entrar num caminho de autoconhecimento e espiritualidade, foi o sofrimento e a busca pela cura, pelo equilíbrio mental e emocional - a profissão veio como consequência desse caminho.
E é uma farsa fingir que nós - terapeutas - não sentimos, não precisamos ouvir conselhos, desabafar e nem ser cuidados também.
Como na maior parte do tempo estou fazendo isso para auxiliar as pessoas que me procuram, então talvez se crie essa imagem de que eu não tenho problemas. Quantas vezes já ouvi: "nossa, você é muito calma, tem muita paciência" ou "você é iluminada" ou "você não deve ter problemas". Eu costumo responder que sou uma pessoa que tenta a cada dia viver equilibrada. E se conseguir auxiliar alguém a viver mais equilibrado também, ótimo!
Sentir é humano, faz parte em todo o mundo. Todos sentimos amor, medo, insegurança, decepção, alegria. Ao aconselhar as pessoas, estou também me aconselhando. Ao conhecer a dor do outro percebo que todos passamos por momentos difíceis, e que às vezes são muito parecidos. E assim será sempre, uma situação após a outra, uma alegria aqui, uma conquista ali, um receio acolá. O caminho é buscar dentro de si - e através das pessoas e energias que podem nos ajudar - a força e a clareza para passar por essas situações e para harmonizar estes sentimentos.
Às vezes também me sinto uma farsa. Por que me vejo tendo que aprender a cada dia o que transmito para as pessoas. Mas farsa mesmo seria fingir que sou perfeita e que já venci todos os aprendizados.
Acredito que tudo seria mais leve se ao mostrar nossos sentimentos fossemos bem acolhidos - por nós mesmos e pelos outros. Se não precisássemos segurar o choro, nem responder o que não sabemos.
Desejo que, acima de tudo, não esqueçamos de ser honestos e humanos. O mundo está tão carente disso. E se errarmos, conosco ou com os outros, que possamos tirar um tempo para corrigir. Que possamos refletir para não repetir o erro. Que a gente não tenha vergonha de se abrir e mostrar que também sentimos, que também amamos, que também erramos.
Somos simplesmente humanos, aqui, aprendendo e ensinando, trocando experiências diárias e enfrentando nossas dificuldades.
Abraços!
Luana Zimmermann


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