Imensidão

Às vezes me perco na imensidão de ser...
Como o mar... quando estamos ali sentados na areia olhando o horizonte.
As águas calmas e profundas, universo por si só, sem fim. Tão distante e tão perto. Hora ou outra a agitação que transforma o ritmo, que faz parte da grande dança do mar, até nascer um novo e sereno embalar.

Quando estamos ali, sentados, nossos pensamentos vagam e nos transportam para outros lugares, mas sempre para dentro de nós... movimentando cada água do nosso corpo, do nosso ser. Emergindo das profundezas internas, lavando nossos olhos e nosso interior, recobrindo de águas serenas e limpas.

Às vezes me sinto assim: imensidão. Tantas memórias vividas, tantas feridas curadas, tantas pessoas, tantas questões, tantas perguntas, tantas, tantas... e ao mesmo tempo nada: silêncio das águas que embalam. Aquele espaço entre tempos, o tempo que pára enquanto também passa aos nossos olhos e dança.

Às vezes pensamos demais, queremos ter tantas respostas, quando na verdade a única coisa que procuramos é nós mesmos nessa imensidão que é ser.

Já fui tantas pessoas, de tantas formas, tantas convicções, tantas tentativas. Nada me traduz mais que o silêncio preenchido de mar. Presença silenciosa, imensidão, tempo atemporal, vai e vem das ondas, ritmo, eterno recomeço. As águas nunca ficam paradas, mesmo que nossos olhos não percebam seu suave movimento. Tudo o que era há um segundo em seguida já não é mais. Eterna fluidez da vida.

Quisera eu um dia me tornar apenas água e simplesmente ser. Transbordar, mergulhar, renascer, na dança eterna de ser puramente essência, força-luz manifesto natural de Deus.





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