Falar ou calar?

Você já ouviu falar sobre a linguagem do corpo? Que cada sintoma/disfunção revela o que estamos guardando ou não sabendo lidar?

Uma doença vem de diversos fatores, como: genética, imunidade, emoções, padrões de pensamento, mente, energia, vitalidade, aspectos espirituais, etc. Tudo está ligado. Quando não lidamos de forma saudável com alguma emoção, por exemplo, naturalmente a imunidade e vitalidade são afetadas, abrindo assim a porta para o registro genético já existente ou para a disfunção em forma física na área correspondente ao desequilíbrio.

Essa semana fiquei com dor de garganta e sem voz e pude refletir um pouco sobre isso. Procurei um médico para ver a parte física, e também refleti para encontrar a causa emocional desse problema.
Pois bem, me dei conta que ocorreram algumas situações nos últimos dias que não consegui absorver de forma saudável. Calei, pois em determinada situação não houve um enfrentamento direto com a pessoa, mas tive vontade de falar.
(E aqui vai um desabafo: por que as pessoas falam para a cidade toda menos para você - a pessoa envolvida? Por que as pessoas julgam tanto e não respeitam os outros, ou o que o outro está tentando fazer de bom? Às vezes é difícil "engolir" a convivência com pessoas assim... que se metem na vida de todos, são sabichões de tudo, mas na prática só espalham julgamentos. E esse não é um texto para colocar um chapéu em alguém, mas uma reflexão sobre essas questões.)

Depois disso, mais uma situação, outra pessoa, outra questão: até quando devemos calar por estarmos no ambiente de trabalho? Sempre busquei um equilíbrio nessa questão, pois por ser terapeuta acredito ter que falar a verdade para não alimentar ilusões e auxiliar o cliente em seu processo de cura, mas também sei que verdades soltas ao vento sem suporte ou entendimento podem apenas machucar.
Então, como encontrar esse equilíbrio? 
Sempre procuro falar com amorosidade, o que às vezes as pessoas não levam a sério. Quando mais nova eu era aquela pessoa que não falava nada, guardava tudo o que pensava e sentia para não magoar, e assim frequentemente me sentia a bobinha da história, pois as pessoas estavam acostumadas com o meu "está tudo bem, passe por cima de mim". Ainda bem, hoje não sou mais essa pessoa, aprendi a colocar certos limites, a saber mais de mim e entender que agradar o outro sob a pena de me desagradar não é uma boa escolha.
Mas essa situação que ocorreu me fez repensar e perceber que após algumas tentativas de conversa e entendimento, se a pessoa não cai em si e ultrapassa esse bom senso-limite eu acabo cedendo por cansar de falar. Então até que ponto devemos falar ou calar? 

Não é porque estamos no papel de profissional (e aqui vale para qualquer área), de ouvinte ou de auxiliar o próximo, que as pessoas podem fazer só o que convém a elas. Sou compreensiva e me esforço para ajudar em tudo o que for possível, mas meu trabalho (tempo, disponibilidade, dedicação, etc) deve ser respeitado. Quantas vezes ouvimos amigos e familiares 'desfiando o rosário' de ladainhas e querendo nossos ouvidos para se aliviar, mas se você mostra onde a pessoa pode estar falhando ela vira as costas?! Muita gente quer solução mágica, mas não tenta mudar pequenas atitudes e não valoriza aquele (amigo ou terapeuta) que está ali disponibilizando tempo e atenção.

Então, essa dor de garganta me mostrou que preciso reajustar alguns ponteiros, me lembrou que não importa o quanto os outros não respeitem, simplesmente, eu devo me respeitar.

Espero que você, que está lendo esse texto, possa refletir sobre essas questões em sua vida e realinhar também os seus ponteiros. Dia a dia temos que lembrar de respeitar a nós mesmos, de agir e reagir de acordo com o nosso bem maior - nosso equilíbrio e saúde, pois sem saúde não se faz nada.

Reflita: O que está te tirando a vitalidade, onde você está exagerando, onde está calando demais... e faça as correções necessárias. Sempre é tempo de colocar em prática, de melhorar.
Se os outros vão respeitar? Eu não sei. Mas se você se respeitar a cada dia já será suficiente para viver a sua vida bem mais saudável.

Boa semana, com muito respeito e amor a si.
Axé! Amém! Namastê!

Dica de leitura: Linguagem do corpo - Cristina Cairo



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